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Fisioterapia no tratamento pós-cirúrgico de
Schwanoma do ramo mandibular do nervo trigêmeo
O primeiro tumor do nervo trigêmeo foi estudado por Smith em
1836. Schwanomas são tumores comuns
de nervos periféricos e raízes nervosas, benignos e
encapsulados, compostos exclusivamente de células de Schwann,
apresentando crescimento lento e progressivo, e
apresentam duas variantes distintas: 1) Antoni –A: constituída
por células que formam arranjo empaliçada, dispostas em
fascículos irregulares; 2) Antoni-B: quando há células com
degeneração mixóide do estroma.
Respondem por cerca de 8% dos tumores intracranianos e 30% dos
tumores espinais primários. São relativamente raros no segmento
cabeça e pescoço, podendo ocorrer em nervo central, periférico
ou simpático. O sítio intra-ósseo é raro, porém, quando
ocorre, a mandíbula é a mais acometida.
Os schwanomas do trigêmeo são tumores incomuns e benignos, e
consistem de massa de tecido encapsulado, firme, de coloração
esbranquiçada. Os tumores localizados nas fossas infratemporal e
pterigopalatina geram sintomas apenas quando atingem tamanho
maior. Com o crescimento, estes tumores podem invadir a fossa
média e a região parafaríngea, causando abaulamento da fossa
tonsilar. Os tumores do ramo V1 manifestam-se por proptose
ocular.
O tratamento é sempre cirúrgico. O schwanoma de ramo periférico
do nervo trigêmeo, o conhecimento anatômico da fossa
infratemporal e ptérigo-palatina é indispensável para se evitar
lesões inadvertidas de estruturas vasculares e/ou nervosas da
região.
Os schwanomas correspondem a 37% dos tumores de origem nervosa
da cabeça e pescoço, sendo que os schwanomas malignos
correspondem a 8% dos casos. Os schwanomas malignos geralmente
originam metástases por via hematogênica para os pulmões e
fígado e seu diagnóstico é feito baseado na história clínica,
propedêutica do pescoço e exames auxiliares de diagnóstico.
A radioterapia pode ser usada naqueles casos em que o tumor é
considerado tecnicamente irressecável.
Não existe predomínio por sexo ou
raça.
No pós-operatório é freqüente a hipoestesia no território do
nervo que deu origem ao tumor; quando em V3, frequentemente
ocorre déficit motor dos músculos mastigatórios. No entanto, em
outros casos, o déficit sensitivo é presente no pós-operatório
imediato. Geralmente ocorre no
pós-operatório imediato déficit funcional neurológico, atingindo
o mesmo um percentual alto, em torno de 80%. Tal déficit é
geralmente definitivo, podendo em alguns pacientes se obter uma
melhora com a fisioterapia em médio e longo prazo.
As complicações possíveis do pós-operatório é o comprometimento
do nervo trigêmeo gerando paralisia facial, déficit de
equilíbrio se houver comprometimento da região vestibular e
déficit do controle motor normal (diminuição da força muscular
e/ou coordenação fina de membros superiores).
No caso da paralisia facial, a fisioterapia pode e deve ajudar
muito no retorno funcional dos músculos da face, através da
introdução de estímulos de acordo com a necessidade de cada
paciente.
A recapacitação visual é realizada também nos casos de paralisia
facial pós-operatória, pois há uma alteração da capacidade de
controle da pupila (midríase - dilatação da pupila; ou miose -
contração anormal da pupila), gerando muitas vezes um incômodo
maior nos pacientes do que a parte estética propriamente dita. A
fisioterapia nestes casos se dá através de estímulos coloridos,
luminosos, entre outros, a fim de melhorar a capacidade de
contração da pupila.
A recapacitação vestibular ajuda a melhorar o equilíbrio e
controle motor, pois estes desequilíbrios são gerados a partir
de uma compressão e/ou secção de parte do sistema vestibular,
necessitando de estímulos para melhoria funcional. A
fisioterapia para os sistema vestibular é a mesma utilizada nos
casos de hipertensos, vertigens e tonturas.
Cabe uma avaliação completa por um fisioterapeuta devidamente
especializado nos casos de schwanoma para que nenhum detalhe
seja descartado durante o processo de recapacitação, avaliação e
reabilitação da função.
Texto: Dra Juliana Prestes
Mancuso
*Reprodução permitida desde que citada a
fonte.
"Deus deu a seus filhos o maior de todos os
dons: a capacidade de escolher e decidir os seus atos." (Autor Desconhecido)
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